domingo, 6 de junho de 2010

NASA teria descoberto evidências de vida em lua de Saturno

de Telegraph.co.uk

Cientistas teriam decoberto que formas de vida na lua Titã, uma das grandes luas de Saturno, haviam respirado e se alimentado no astro.

A pesquisa é divida em duas partes: a primeira, no jornal Icarus, mostra que o gás hidrogênio que circula pela atmosfera da lua desapareceu da superfície. Isso evidenciaria que aliens haviam respirado por lá.

A segunda parte, no Journal of Geophysical Research, conclui que a superfície de Titã empobreceu-se de hidrogênio.

Os cientistas foram levados a acreditar que isso ocorreu devido ao consumo por alguma forma de vida.

Chris McKay, um astrobiologista do Nasa Ames Research Centre, em Moffett Field, California, que liderou o estudo disse: "Sugerimos o consumo do hidrogênio porque esse é o gás óbvio para que a vida consuma em Titã, assim como consumimos oxigêno na Terra."

"Se esses sinais se tornarem sinais de vida, isso seria duplamente emocionante, porque representaria uma segunda forma de vida independente da forma de vida aqui da Terra, que é baseada em água."

Apesar disso, eles salientaram que existem outras explicações para tais observações. Porém, tomadas juntas, essas duas evidências indicam duas importantes condições necessárias para a existência de vida baseada em metano.

Planetinha esférico

da CH

Fundação Getúlio Vargas abre as portas para o futebol e discute a relação do esporte com a sociedade, a literatura, a museologia e o cinema.


Kaká, Ronaldinho, Pelé e Tostão. Craques brasileiros, ídolos. Alguns mitos. Mitos com uma singularidade: têm apelidos de gente comum, diminutivos carinhosos. O que poderia ser apenas uma engraçada coincidência é, na verdade, prática repetida à exaustão com milhares de jogadores brasileiros. Então, fica a pergunta: o que será que os inhos no final do nome dos nossos ídolos dizem sobre o Brasil?

Para o ensaísta, compositor, pianista e – também – fã de futebol José Miguel Wisnik, os apelidos dos ídolos – Ronaldinho, Robinho, Jairzinho – dizem muito sobre o que somos.

Em um debate na sexta-feira passada que uniu futebol e ciências sociais e humanas na Fundação Getúlio Vargas (FGV - RJ), o autor do livro Veneno remédio (2008), obra que traça as linhas de encontro e desencontro entre o futebol e os hábitos dos brasileiros, disse:

– A gente não abre mão de chamar nossos heróis de forma infantil. É a nossa clássica mistura do privado e do público, como explica Sérgio Buarque em Raízes do Brasil. Temos medo de assumir responsabilidades. Não somos como os europeus. Quando eles entram em campo, vemos um desfile de sobrenomes.

Wisnik, que estava na mesa junto com o mediador Bernardo Buarque de Hollanda, era só parte de um evento. Durante todo o dia, falou-se também de temas como o Museu do Futebol, em São Paulo, e a relação do cinema com o esporte.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Planeta esférico

Primeira postagem de junho, ano de Copa do Mundo. Obiamente eu não poderia escrever sobre outro assunto senão o futebol. Principalmente vivendo num país como o Brasil, onde o futebol é parte latente da cultura e do cotidiano dos cidadãos. Quase todos nós brasileiros nascemos e crescemos rodeados pela paixão ao futebol, esporte esse que inspira diversos sentimentos: amor, ódio, raiva, ira, inveja, alegria... muitas pessoas frequentam os estádios de futebol e vibram, gritam, choram, cantam, xingam em nome do seu clube preferido ou de sua seleção nacional. Pagam para assistir aos espetáculos (que, ás vezes, não são verdadeiros espetáculos) promovidos pelos jogadores de futebol, que realizam proezas ao longo dos 90 min. de jogo. Os jogadores são ídolos de crianças e adultos, tornando-se verdadeiros ícones nacionais e até mundiais.

HISTÓRIA NO BRASIL
Nascido no bairro paulistano do Brás, Charles Miller viajou para Inglaterra aos nove anos de idade para estudar. Lá tomou contato com o futebol e, ao retornar ao Brasil em 1894, trouxe na bagagem a primeira bola de futebol e um conjunto de regras. Podemos considerar Charles Miller como sendo o precursor do futebol no Brasil.
O primeiro jogo de futebol no Brasil foi realizados em 15 de abril de 1895 entre funcionários de empresas inglesas que atuavam em São Paulo. Os funcionários também eram de origem inglesa. Este jogo foi entre FUNCIONÁRIOS DA COMPANHIA DE GÁS X CIA. FERROVIARIA SÃO PAULO RAILWAY.
O primeiro time a se formar no Brasil foi o SÃO PAULO ATHLETIC, fundado em 13 de maio de 1888.
No início, o futebol era praticado apenas por pessoas da elite, sendo vedada a participação de negros em times de futebol.


Como não poderia deixar de ser, a ciência também tem o futebol como objeto de estudo.
Veja abaixo trechos do documentário "A Ciência do Gol", da Discovery Channel, exibido em 16 de maio.












Mais um do lendário lateral esquerdo Roberto Carlos, que sempre teimou em desafiar as probabilidades.


segunda-feira, 31 de maio de 2010

Geneticista propõe "desinvenção" do conceito de raça humana - Folha.com

O Homo sapiens europaeus é branco, sério e forte. O Homo sapiens asiaticus é amarelo, melancólico e avaro. O Homo sapiens afer é negro, impassível e preguiçoso. E o Homo sapiens americanus é vermelho, mal-humorado e violento.

Essa caracterização da espécie humana, proposta em 1767 pelo naturalista sueco Carl Linnaeus (1707-78), marca a primeira divisão "científica" da humanidade em "raças". Somado a crenças ancestrais e estudos científicos posteriores, o trabalho de Linnaeus colaborou para a consolidação do conceito de que a humanidade se divide em "raças" e para a justificação de todos os subprodutos dessa lógica, como o racismo.

No livro "Humanidade Sem Raças?", o doutor em genética humana Sérgio Pena trata da questão racial por meio de um recorte biológico e propõe a "desinvenção" do conceito de raças. Em formato de ensaio, o livro trata do tema de forma, ao mesmo tempo, sintética e atualizada.

"Tratar um indivíduo com base na cor da sua pele ou na sua aparência física é claramente errado, pois alicerça toda a relação em algo que é moralmente irrelevante com respeito ao caráter ou ações daquela pessoa", afirma o autor.

Pena mostra em "Humanidade Sem Raças?" como o conceito de divisão racial se infiltrou paulatinamente em nossa cultura e contribuiu para justificar a dominação de alguns grupos por outros, assim como a discriminação, a exploração e inúmeras atrocidades --que vão da escravização dos negros até o nazismo e o apartheid.

O autor se apóia nos mais recentes estudos da genética molecular --como o seqüenciamento do genoma humano-- para provar que os rótulos usados para distinguir "raças" não têm qualquer significado biológico. E propõe a definitiva "desinvenção" desse conceito.

"Podemos dizer que, se a cultura ocidental inventou o racismo e as raças, temos, agora, o dever de desinventá-las", afirma Sérgio Pena. "Devemos fazer todo esforço em prol de uma sociedade desracializada, que valorize e cultive a singularidade do indivíduo e na qual cada pessoa tenha a liberdade de assumir uma pluralidade de identidades. Este sonho está em sintonia com o fato demonstrado pela genética moderna: cada um de nós tem uma individualidade genômica absoluta, que interage com o ambiente para moldar sua exclusiva trajetória de vida".

O Autor

Sérgio Pena é professor titular do Departamento de Bioquímica e Imunologia da UFMG e membro da Academia Brasileira de Ciências.

Trecho da Obra

A Bíblia nos apresenta os Quatro Cavaleiros do Apocalipse: Morte, Guerra, Fome e Peste. Com os conflitos na Irlanda do Norte, em Ruanda e nos Bálcãs, no fim do século passado, e após o 11 de Setembro, a invasão do Afeganistão e do Iraque e os conflitos de Darfur no início do século 21, temos de adicionar quatro novos cavaleiros: Racismo, Xenofobia, Ódio Étnico e Intolerância Religiosa.

Neste livro vamos examinar um desses: o racismo, com o seu principal comparsa, a crença na existência de "raças humanas". Proponho demonstrar que as raças humanas são apenas produto da nossa imaginação cultural. Como disse o epidemiologista americano Jay S. Kaufman, as raças não existem em nossa mente porque são reais, mas são reais porque existem em nossa mente.1

Acredito que a palavra devia ser sempre escrita entre aspas. Como isso comprometeria demais a apresentação do texto, serão omitidas aqui, mas gostaria de sugerir que o leitor as mantivesse, imaginariamente, a cada ocorrência do termo. No passado, a crença de que as raças humanas possuíam diferenças biológicas substanciais e bem demarcadas contribuiu para justificar discriminação, exploração e atrocidades. Ao longo dos tempos, esse infeliz conceito integrou-se à trama da nossa sociedade, sem que sua adequação ou veracidade tenham sido suficientemente questionadas.

Perversamente, o conceito tem sido usado não só para sistematizar e estudar as populações humanas, mas também para criar esquemas classificatórios que parecem justificar o status quo e a dominação de alguns grupos sobre outros. Assim, a sobrevivência da idéia de raça é deletéria por estar ligada à crença continuada de que os grupos humanos existem em uma escala de valor. Essa persistência é tóxica, contaminando e enfraquecendo a sociedade como um todo.

Henry Louis Gates Jr. (1950), professor da Universidade de Harvard e diretor do Instituto w.e.b. Du Bois de Pesquisa Sobre Africanos e Afro-Americanos, é um brilhante intelectual norte-americano da atualidade. Em um artigo intitulado "A Ciência do Racismo", recentemente publicado online na revista The Root, Gates faz a seguinte afirmativa: "[...] a última grande batalha sobre o racismo não será lutada com relação ao acesso a um balcão de restaurante, a um quarto de hotel, ao direito de votar, ou mesmo ao direito de ocupar a Casa Branca; ela será lutada no laboratório, em um tubo de ensaio, sob um microscópio, no nosso genoma, no campo de guerra do nosso DNA. É aqui que nós, como uma sociedade, ordenaremos e interpretaremos a nossa diversidade genética".2

Vou seguir a sugestão de Gates e examinar toda a questão das raças humanas e do racismo sob o prisma da biologia e da genética moderna, com uma perspectiva histórica. Assim, contrasto três modelos estruturais da diversidade humana. O primeiro, com base na divisão da humanidade em raças bem definidas, foi desenvolvido nos séculos 17 e 18 e culminou no racismo científico da segunda metade do século 19 e no movimento nazista do século 20. Esse equivocado modelo tipológico definiu as raças como muito diferentes entre si e internamente homogêneas. E foi essa crença de que as diferentes raças humanas possuíam diferenças biológicas substanciais e bem demarcadas que contribuiu para justificar discriminação, exploração e atrocidades.

O segundo foi o modelo populacional. Incorporando novos conhecimentos científicos, ele surgiu após o final da Segunda Guerra Mundial, e fez a divisão da humanidade em populações, que passaram a ser corretamente percebidas como internamente heterogêneas e geneticamente sobrepostas. Infelizmente ele se degenerou em um modelo "populacional de raças" e tem sido compatível com a continuação do preconceito e da exploração.

O que proponho para o século 21 é a substituição desses dois modelos prévios por um novo paradigma genômico/individual de estrutura da diversidade humana, que vê essa espécie dividida não em raças ou populações, mas em seis bilhões de indivíduos genomicamente diferentes entre si, mas com graus maiores ou menores de parentesco em suas variadas linhagens genealógicas.

A Invenção das Raças

Parece existir uma noção generalizada de que o conceito de raças humanas e sua indesejável conseqüência, o racismo, são tão velhos como a humanidade. Há mesmo quem pense neles como parte essencial da "natureza humana". Isso não é verdade. Pelo contrário, as raças e o racismo são uma invenção recente na história da humanidade.

Desde os primórdios da humanidade houve violência entre grupos humanos, mas só na era moderna essa violência passou a ser justificada por uma ideologia racista. De fato, nas civilizações antigas não são encontradas evidências inequívocas da existência de racismo (que não deve ser confundido com rivalidade entre comunidades). É certo que havia escravidão na Grécia, em Roma, no mundo árabe e em outras regiões. Mas os escravos eram geralmente prisioneiros de guerra e não havia a idéia de que fossem "naturalmente" inferiores aos seus senhores. A escravidão era mais conjuntural que estrutural - se o resultado da guerra tivesse sido outro, os papéis de senhor e escravo estariam invertidos.

A emergência do racismo e a cristalização do conceito de raças coincidiram historicamente com dois fenômenos da era moderna: o início do tráfico de escravos da África para as Américas e o esvanecimento do tradicional espírito religioso em favor de interpretações científicas da natureza.

Diversidade Humana

Antes de prosseguirmos, proponho ao leitor um simples experimento. Dirija-se a um local onde haja grande número de pessoas - uma sala de aula, um restaurante, o saguão de um edifício comercial ou mesmo a calçada de uma rua movimentada. Agora observe cuidadosamente as pessoas ao redor.

Deverá logo saltar aos olhos que somos todos muito parecidos e, ao mesmo tempo, muito diferentes. Podemos ver grandes similaridades no plano corporal, na postura ereta, na pele fina e na falta relativa de pêlos, características da espécie humana que nos distinguem dos outros primatas.

Por outro lado, serão evidentes as extraordinárias variações morfológicas entre as diferentes pessoas: sexo, idade, altura, peso, massa muscular e distribuição de gordura corporal, comprimento, cor e textura dos cabelos (ou ausência deles), cor e formato dos olhos, formatos do nariz e lábios, cor da pele etc.

Essas variações são quantitativas, contínuas, graduais. A priori, não existe absolutamente qualquer razão para valorizar uma ou outra dessas características no exercício de perscrutação. Mas logo se descobre que nem todos os traços têm a mesma relevância. Alguns são mais importantes; por exemplo, quando reparamos que algumas pessoas são mais atraentes que outras.

Além disso, há características que podem nos fornecer informações sobre a origem geográfica ancestral das pessoas: uma pele negra pode nos levar a inferir que a pessoa tenha ancestrais africanos, olhos puxados evocam ancestralidade oriental etc. Mas isso é tudo: não há nada mais que se possa captar à flor da pele.

Pense bem. Como é possível que o fato de possuir ancestrais na África faça o todo de uma pessoa ser diferente de quem tem ancestrais na Ásia ou Europa? O que têm a pigmentação da pele, o formato e a cor dos olhos ou a textura do cabelo a ver com as qualidades humanas singulares que determinam uma individualidade existencial? Tratar um indivíduo com base na cor da sua pele ou na sua aparência física é claramente errado, pois alicerça toda a relação em algo que é moralmente irrelevante com respeito ao caráter ou ações daquela pessoa.

Dia Mundial Sem Tabaco



Hoje, 31 de maio, comemora-se o Dia Mundial sem Tabaco, que terá como alvo principal as mulheres. Isso porque, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 40% das mortes de mulheres com menos de 65 anos no Brasil é causado pelo fumo.

O objetivo da campanha é alertar sobre as estratégias que a indústria do tabaco usa para atingir o público feminino e os males que o cigarro causa à saúde e ao meio ambiente. De acordo com a OMS, as mulheres hoje são o principal alvo da indústria do tabaco.

Atualmente o mundo tem 1 bilhão de fumantes ativos (cerca de 14,7% da população mundial), e mais de 5 milhões de pessoas morrem todo ano devido ao tabagismo. Esse número desconsidera as inúmeras pessoas que convivem involutariamente com a fumaça tóxica do cigarro.

Nesta segunda-feira será aberta, na Câmara dos Deputados, em Brasília, a exposição Propagandas de Cigarro – Como a Indústria do Fumo Enganou as Pessoas. Serão apresentadas peças publicitárias impressas e filmes comerciais das marcas de cigarro veiculados entre as décadas de 1920 e 1950 nos Estados Unidos.

Conheça os males do fumo
O cigarro contém uma mistura de cerca de 4.700 substâncias tóxicas. Parte delas é gasosa – incluindo o monóxido de carbono, e algumas são partículas, como o alcatrão, a nicotina e a água.
O alcatrão, além dos radioativos urânio, polônio 210 e carbono 14, concentra 43 substâncias comprovadamente carcinogênicas, ou seja, que provocam o câncer, já que alteram o núcleo das células.
Aproximadamente, 3 a 6% da fumaça do cigarro são compostos por monóxido de carbono. Quando inalado, o monóxido de carbono atinge os pulmões e dali segue para o sangue, reduzindo sua capacidade de carregar oxigênio.
Em conseqüência, as células deixam de respirar e produzir energia, o que faz com que o fumante tenha o fôlego prejudicado e fique exposto ao risco de doenças cardiovasculares e respiratórias.
Além de venenoso em altas concentrações, o CO está implicado em muitas doenças associadas ao fumo, inclusive nos efeitos danosos sobre o desenvolvimento do feto das grávidas tabagistas.

A nicotina, outra das substâncias encontradas no cigarro, diminui a capacidade de circulação sangüínea, aumenta a deposição de gordura nas paredes dos vasos e sobrecarrega o coração, podendo levar ao infarto do miocárdio e ao câncer, mas seu papel mais importante é reforçar e potencializar a vontade de fumar.
Ela atua da mesma forma que a cocaína, o álcool e a morfina, causando dependência e obrigando o fumante a usar continuamente o cigarro. Em altas concentrações, é também venenosa.

Não-fumantes - Os fumantes não são os únicos expostos aos males do cigarro.
Também os não-fumantes são atingidos, já que passam a ser fumantes passivos.
Onde quer que alguém esteja fumando, são encontradas partículas da fumaça do cigarro, principalmente em locais fechados, residenciais ou públicos.
Rapidamente, as concentrações das substâncias tóxicas da fumaça excedem os níveis considerados padrões para a qualidade do ar ambiente.

O cigarro é considerado pela Organização Mundial da Saúde – OMS – como o maior agente de poluição doméstica e ambiental, tendo em vista que as pessoas passam 80% de seu tempo diário em locais fechados, tais como os de trabalho, residência e lazer.
Gravidez - Fumar durante a gravidez acarreta sérios riscos tanto para o bebê quanto para a mãe. Abortos espontâneos, nascimentos prematuros, bebês de baixo peso, mortes fetais e de recém-nascidos, complicações com a placenta e hemorragias ocorrem mais freqüentemente quando a mulher grávida fuma.
Tais agravos são devidos, principalmente, aos efeitos do monóxido de carbono e da nicotina sobre o feto, após sua absorção pelo organismo materno.
Um único cigarro fumado por uma gestante é capaz de acelerar, em poucos minutos, os batimentos cardíacos do feto, pelo efeito da nicotina em seu aparelho cardiovascular.
Portanto, é fácil imaginar a extensão dos danos causados ao feto em virtude do tabagismo da mãe gestante.


Efeitos Causados Pelo Fumo sobre a Saúde
A curto prazo A médio e longo prazos
· Irritação nos olhos · Redução da capacidade respiratória
· Manifestações nasais · Infecções respiratórias em crianças
· Tosse e cefaléia · Aumento do risco de aterosclerose
· Aumento dos problemas alérgicos e cardíacos · Câncer
· Infarto do miocárdio

Doenças associadas ao uso do cigarro
· Doenças coronarianas (25%)

Angina e infarto

· Doenças pulmonares obstrutivas crônicas - DPOC (85%)

Bronquite e enfisema

· Câncer em geral (30%)
Pulmão (90%), boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga e colo de útero
· Doenças cerebrovasculares (25%)

Derrame cerebral

· Úlceras digestivas
· Infecções respiratórias variadas

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Melhoria do ensino reduz desigualdade, apontam especialistas em conferência de ciência e tecnologia


Daniel Lima - Repórter da Agência Brasil

Imagens postadas pelo blog

Brasília – É preciso melhorar o sistema de ensino no Brasil para que as desigualdades sociais sejam reduzidas e haja mais inclusão social, avaliaram hoje (28) os participantes de plenária sobre o tema, na 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Luiz Davidovich, físico e secretário-geral do evento lembrou que os cientistas e a comunidade acadêmica não podem resolver todos os problemas, que, muitas vezes, têm a ver com a adoção de políticas públicas corretas para reduzir a lacuna que existe entre os menos e os mais favorecidos.

“Às vezes, ficamos muito preocupados que coloquem muito peso nas costas da comunidade científica em relação a essas questões. Questões de políticas públicas, e que são importantes, extravasam o âmbito da ciência”, disse. Um exemplo citado por ele é sobre a assistência educacional às crianças de até 3 anos. Para Davidovich, essa assistência é fundamental para “determinar o horizonte, o futuro dessas crianças.”

Segundo ele, existem estatísticas, com números levantados em outros países, que mostram que uma intervenção nessa faixa de idade muda o rumo do cidadão, reduzindo a taxa de criminalidade e aumentando a chance de acesso ao ensino superior. “Então, essa é uma questão que independe da ciência e tecnologia”, disse.

Por outro lado, ele destaca que é importante a ciência atuar em conjunto com as tecnologias sociais, que procuram estimular novos tipos de empreendimentos. Para ele, é importante que a inovação não ocorra apenas nas empresas clássicas, mas também em novos setores como cooperativas e empreendimentos sociais e populares.

“Em outras palavras, procura-se também conceber novos tipos de empresa, com inovação, mas que não participem de um processo de exclusão social e que apresentem perspectivas para um novo modelo de organização social”, observa. Nesse aspecto, ele defende mudanças, por exemplo, no ensino de ciências, não da forma como é feito em muitas escolas, apenas com o quadro de giz, mas que permita ao estudante vivenciar as experiências.
Davidovich, físico e secretário-geral da 4ª CNCTI


Outro problema que acaba se refletindo na inclusão é a falta de uma escola boa e eficiente para todos. Davidovich lembra que, nas comunidades carentes, os pais analfabetos, ao descobrirem que os filhos já leem, ficam satisfeitos e acham que é o suficiente para uma ocupação no mercado de trabalho. No entanto, há uma discriminação entre as escolas dessas comunidades e as escolas das classes média e alta.

“Não basta a criança aprender a ler e ser enviada ao mercado de trabalho. Ela tem de aprender a perguntar, questionar, interrogar a natureza”. Davidovich também acredita que é preciso investir mais na formação dos professores. Ele sugeriu que haja um maior envolvimento de todos nessa questão, do Estado e do próprio mundo acadêmico, principalmente nas instituições públicas.

Na plenária sobre o papel da ciência, da tecnologia e da inovação na redução das desigualdades sociais e na inclusão social como consequência da democracia e da cidadania, foi mostrado que a nota mínima para entrar, em uma universidade, no curso de medicina, é 8,3, enquanto para os candidatos à licenciatura de física e matemática, é pouco mais de 3. “Ora, esses serão os professores e educadores das nossas crianças, os formadores das nossas crianças. Entram no vestibular com média 3. É um paradoxo que foi resolvido em outros países”, afirmou.

O especialista chegou a comparar esse cenário a um regime separatista como o apartheid, em que há dois grupos: um que é beneficiado com educação de qualidade e outro que recebe uma educação de baixa qualidade. “Se não mudarmos isso, o país não terá um forte protagonismo internacional. Vem de séculos [essa realidade], da escravidão, da segregação social e precisa de dez a 20 anos [para ser resolvida]. Deve ser iniciada logo [uma mudança desse quadro], para que, daqui a 20 anos, não tenhamos mais essa segregação”.

De acordo com a professora Maria Alice Rezende de Carvalho, do Departamento de Sociologia e Política da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, é importante transformar a ciência em algo que tenha valor para o cidadão comum. Presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), Maria Alice disse ainda que não se pode separar ciência e tecnologia que, constitutivamente, estão associadas à democratização da sociedade.

Ela citou como exemplo a difusão da informação, que precisa de uma tecnologia específica e está cada vez mais desenvolvida. O próprio processo de formação de acervos envolve ciência, observou. “Sem informação é impossível dar prosseguimento aos desejos e entender de que maneira esses desejos podem ser realizados por meio de cursos e de uma formação específica”, disse.

Maria Alice também destacou a educação como de fundamental importância nesse processo de inclusão e na redução das diferenças sociais e econômicas. “A Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação pretende que a ciência seja uma linguagem do mundo e que ela traga, de fato, melhoria para a qualidade das condições de vida das grandes massas brasileiras”.

Entre os aspectos importantes para que isso ocorra, a professora citou a melhoria da qualidade de vida em todos os níveis e a possibilidade de transformação das inovações sociais, que estão na base da sociedade, encontrarem caminhos para a difusão desse conhecimento. Para a presidente da Anpocs, é importante também que comunidades que, muitas vezes, têm saberes empíricos, venham a ser também produtoras de conhecimento.