segunda-feira, 7 de junho de 2010

Pesquisa dos Laboratórios de Neuropsicologia e de Genética da UFMG pode ajudar a desvendar causas e consequências da discalculia

Pesquisadores das áreas de neuropsicologia e genética da UFMG se uniram em estudo que pretende desvendar as causas e efeitos da discalculia, transtorno de aprendizagem da matemática que atinge 6% da população mundial. A pesquisa, que envolve crianças de sete a 14 anos de escolas públicas e particulares de Belo Horizonte e Mariana, baseia-se em testes de desempenho escolar, psicológico e de inteligência, entrevista clínica e, posteriormente, análise do genoma dos voluntários

Equação, matriz, raiz quadrada, análise combinatória, progressão, números complexos. Para muita gente, matemática é sinônimo de dor de cabeça. Mas para 6% da população, a inabilidade com a matéria vai além de uma simples falta de afinidade com os números. Estima-se que seja essa a parcela mundial que sofra de discalculia, transtorno de aprendizagem cujos efeitos e causas ainda não foram completamente desvendados pelos cientistas.

Traçar o perfil cognitivo de crianças e adolescentes que sofrem desse transtorno é um dos objetivos de pesquisa feita pelo Laboratório de Neuropsicologia do Desenvolvimento da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), em parceria com o Laboratório de Genética Humana/ Médica do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), com colaboração do Serviço Especial de Genética do Hospital das Clínicas e do Centro de Tratamento e Reabilitação de Fissuras Labiopalatais e Deformidades Craniofaciais (Centrare), da PUC Minas.

No estudo, crianças de sete a 14 anos de escolas públicas e particulares de Belo Horizonte e Mariana são submetidas ao Teste de Desempenho Escolar. Aquelas que obtêm resultado abaixo de 25% no subteste de matemática são convidadas para uma segunda etapa de avaliação, em que passam por entrevista clínica, testes psicológicos e de inteligência, e têm o sangue coletado. Até agora 1.400 voluntários já passaram pela triagem. Desses, mais de 200 foram examinados na segunda fase. Segundo o coordenador do Laboratório de Neuropsicologia, Vitor Haase, a meta é que 500 crianças sejam submetidas aos testes psicológicos.

Uma terceira etapa da pesquisa será realizada pela equipe do Laboratório de Genética Humana do ICB, que examinará parte do genoma dos voluntários. Na conclusão dos trabalhos, os dois resultados serão comparados. “Genericamente, sabemos que as causas da discalculia são de ordem genética”, explica Haase. Segundo ele, falta identificar as áreas do genoma associadas ao transtorno.

Ponto de partida
As áreas cromossômicas a serem avaliadas no estudo relacionam-se às síndromes de Turner e Velocardiofacial (veja texto na página ao lado). Normalmente, quando o indivíduo apresenta alterações genéticas nessas regiões, desenvolve sintomas das duas doenças, que podem incluir a discalculia. “Os geneticistas caracterizaram as alterações genético-moleculares nessas síndromes e observaram que as dificuldades de aprendizagem da matemática faziam parte do fenótipo delas”, afirma Haase.

O professor diz que agora será feito o caminho inverso, com o objetivo de descobrir se algumas das crianças com dificuldade de aprendizagem em matemática têm as alterações genéticas descritas nas duas síndromes, sem que necessariamente sejam portadoras delas – ou apresentem apenas uma forma leve das doenças. “Queremos saber o quanto essas síndromes contribuem para o desenvolvimento da discalculia. Ambas podem apresentar um leque de sintomas, mas às vezes não há indício de que a criança seja portadora de uma delas”, afirma a professora Maria Raquel Carvalho, coordenadora do Laboratório de Genética Humana.

Isso poderia acontecer porque, como explica um dos mestrandos do Laboratório de Neuropsicologia, Pedro Pinheiro Chagas, possíveis alterações genéticas nessas regiões seriam responsáveis pela estruturação do córtex parietal, área do cérebro relacionada à representação numérica. “Podemos observar que a relação entre alterações genéticas e discalculia não é direta. Há um caminho, do ponto de vista do desenvolvimento, de maturação das regiões cerebrais”, completa Chagas. Todavia, essas não são as únicas regiões cromossômicas que podem estar relacionadas ao transtorno. “É provável que dezenas de outras áreas contribuam para que a pessoa tenha dificuldade de aprendizagem em matemática, mas é preciso começar por algum lugar”, argumenta Vitor Haase.

Segundo Maria Raquel Carvalho, o esclarecimento das causas da doença ocorrerá aos poucos. “Quando tirarmos as causas conhecidas, poderemos estudar todo o genoma para avaliar quais regiões causam discalculia”, resume.

Cálculo sem conta
A discalculia pode ter diversas causas. O transtorno, no entanto, não tem relação com problemas pedagógicos, educação deficiente, nem pode ser atribuído à falta de interesse do aluno pela matéria. “Ela é algo crônico, persistente no desenvolvimento e independente do estímulo”, pontua Pedro Pinheiro Chagas. A principal hipótese sobre o problema, formulada pelo francês Stanislas Dehaene, é de que a discalculia seria consequência de um déficit na representação numérica.

De acordo com essa teoria, há três formas de representação numérica distintas: a analógica, a simbólica e a verbal. A primeira seria algo inato, presente inclusive em animais. Graças a essa habilidade conseguimos julgar, por exemplo, se numa folha de papel a quantidade de pontos pretos corresponde ao dobro do número de pontos vermelhos, sem fazer qualquer tipo de conta. “É algo aproximativo. Se você colocar em uma vasilha um quilo de carne para um cachorro e meio quilo em outra, ele provavelmente vai em direção ao recipiente que tem mais. Ele não fez qualquer operação; simplesmente estima”, exemplifica o mestrando.

Já as duas outras formas de representação seriam construções sociais. “São maneiras de tornar algo impreciso e intuitivo em uma coisa exata e culturalmente aprendível”, define Pedro Chagas. A representação simbólica consiste em traduzir quantidades aproximadas em números, enquanto a verbal permite falar ou escrever um número.

Segundo esse modelo, os indivíduos com discalculia, ou pelo menos parte deles, teriam dificuldade elementar na representação de magnitudes, ou seja, na representação analógica. Mas, como lembra o mestrando, a matemática é uma atividade muito mais complexa que simplesmente estimar quantidades, por isso vários dos indivíduos com discalculia teriam também problemas em outras áreas: funções executivas, memórias de trabalho, capacidade de manter uma informação no cérebro durante a realização de uma operação, transcodificação, entre outras.

Um dos objetivos da pesquisa é identificar outros domínios cognitivos que podem ser afetados pelo transtorno, como atenção, processamento visoespacial e a linguagem. Por enquanto, o estudo não inclui um programa direto de reabilitação; dessa forma crianças que passam pelos exames e apresentam dificuldade de aprendizagem da matemática são encaminhadas a outras instituições. “Os dados disponíveis sobre o prognóstico mostram que essas dificuldades são crônicas, persistem, mas os indivíduos melhoram com atendimento e medidas psicopedagógicas”, destaca Vitor Haase. A pesquisa é financiada pela Fapemig, CNPq e Capes.

(Boletim UFMG 1698)

domingo, 6 de junho de 2010

Sinfonia da Ciência - A Poesia da Realidade

Voluntários começam simulação de viagem a Marte de 520 dias

Efe

Experiência servirá para estudar a compatibilidade psicológica e a tolerância da tripulação em voo


MOSCOU - Seis voluntários começaram nesta quinta-feira, 3, uma simulação de voo a Marte que os manterá isolados do mundo durante 520 dias e servirá para estudar a compatibilidade psicológica e a tolerância dos membros de uma tripulação durante um voo interplanetário.

"Comecem o experimento", ordenou Igor Ushakov, diretor do Instituto de Problemas Biomédicos (IPBM) da Academia de Ciências da Rússia, em cujo recinto se encontra o simulador da nave espacial.

Suas palavras foram respondidas com uma entusiasta réplica "Às ordens", pronunciada pelo comandante dos "viajantes interplanetários", o russo Alexey Sitev. Em seguida, os seis voluntários entraram no simulador, cujas portas foram fechadas.

Junto com Sitev, participam do experimento Marte-500 os também russos Sukhrob Kamolov e Alexandr Smoleevskiy, o ítalo-colombiano Diego Urbina, o francês Romain Charles e o chinês Wang Yue.

Todos eles compartilharão durante um ano e pouco mais de cinco meses os 550 metros cúbicos que somam os quatro módulos cilíndricos que constituem o simulador.

Eles permanecerão isolados do mundo exatamente durante o tempo que leva o voo de ida e volta a Marte, 490 dias, mais outros 30 de permanência simulada no planeta vizinho.

Na fase "marciana" do experimento, será usado um simulador da superfície do Planeta Vermelho, de 1,2 mil metros cúbicos, no qual sairão devidamente vestidos os participantes do experimento.

A Agência Espacial Europeia (ESA) e a russa Roscosmos lançaram em 2004 esse ambicioso projeto, que se uniu posteriormente à China e no qual também colaboram outros países, como os Estados Unidos.

Em novembro de 2007, foi realizado um primeiro experimento preparatório em que seis voluntários russos permaneceram isolados do exterior durante duas semanas, enquanto em julho do ano passado aconteceu um simulação de voo ao Planeta Vermelho que durou 105 dias.


Confira a reportagem da BBC Brasil:


NASA teria descoberto evidências de vida em lua de Saturno

de Telegraph.co.uk

Cientistas teriam decoberto que formas de vida na lua Titã, uma das grandes luas de Saturno, haviam respirado e se alimentado no astro.

A pesquisa é divida em duas partes: a primeira, no jornal Icarus, mostra que o gás hidrogênio que circula pela atmosfera da lua desapareceu da superfície. Isso evidenciaria que aliens haviam respirado por lá.

A segunda parte, no Journal of Geophysical Research, conclui que a superfície de Titã empobreceu-se de hidrogênio.

Os cientistas foram levados a acreditar que isso ocorreu devido ao consumo por alguma forma de vida.

Chris McKay, um astrobiologista do Nasa Ames Research Centre, em Moffett Field, California, que liderou o estudo disse: "Sugerimos o consumo do hidrogênio porque esse é o gás óbvio para que a vida consuma em Titã, assim como consumimos oxigêno na Terra."

"Se esses sinais se tornarem sinais de vida, isso seria duplamente emocionante, porque representaria uma segunda forma de vida independente da forma de vida aqui da Terra, que é baseada em água."

Apesar disso, eles salientaram que existem outras explicações para tais observações. Porém, tomadas juntas, essas duas evidências indicam duas importantes condições necessárias para a existência de vida baseada em metano.

Planetinha esférico

da CH

Fundação Getúlio Vargas abre as portas para o futebol e discute a relação do esporte com a sociedade, a literatura, a museologia e o cinema.


Kaká, Ronaldinho, Pelé e Tostão. Craques brasileiros, ídolos. Alguns mitos. Mitos com uma singularidade: têm apelidos de gente comum, diminutivos carinhosos. O que poderia ser apenas uma engraçada coincidência é, na verdade, prática repetida à exaustão com milhares de jogadores brasileiros. Então, fica a pergunta: o que será que os inhos no final do nome dos nossos ídolos dizem sobre o Brasil?

Para o ensaísta, compositor, pianista e – também – fã de futebol José Miguel Wisnik, os apelidos dos ídolos – Ronaldinho, Robinho, Jairzinho – dizem muito sobre o que somos.

Em um debate na sexta-feira passada que uniu futebol e ciências sociais e humanas na Fundação Getúlio Vargas (FGV - RJ), o autor do livro Veneno remédio (2008), obra que traça as linhas de encontro e desencontro entre o futebol e os hábitos dos brasileiros, disse:

– A gente não abre mão de chamar nossos heróis de forma infantil. É a nossa clássica mistura do privado e do público, como explica Sérgio Buarque em Raízes do Brasil. Temos medo de assumir responsabilidades. Não somos como os europeus. Quando eles entram em campo, vemos um desfile de sobrenomes.

Wisnik, que estava na mesa junto com o mediador Bernardo Buarque de Hollanda, era só parte de um evento. Durante todo o dia, falou-se também de temas como o Museu do Futebol, em São Paulo, e a relação do cinema com o esporte.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Planeta esférico

Primeira postagem de junho, ano de Copa do Mundo. Obiamente eu não poderia escrever sobre outro assunto senão o futebol. Principalmente vivendo num país como o Brasil, onde o futebol é parte latente da cultura e do cotidiano dos cidadãos. Quase todos nós brasileiros nascemos e crescemos rodeados pela paixão ao futebol, esporte esse que inspira diversos sentimentos: amor, ódio, raiva, ira, inveja, alegria... muitas pessoas frequentam os estádios de futebol e vibram, gritam, choram, cantam, xingam em nome do seu clube preferido ou de sua seleção nacional. Pagam para assistir aos espetáculos (que, ás vezes, não são verdadeiros espetáculos) promovidos pelos jogadores de futebol, que realizam proezas ao longo dos 90 min. de jogo. Os jogadores são ídolos de crianças e adultos, tornando-se verdadeiros ícones nacionais e até mundiais.

HISTÓRIA NO BRASIL
Nascido no bairro paulistano do Brás, Charles Miller viajou para Inglaterra aos nove anos de idade para estudar. Lá tomou contato com o futebol e, ao retornar ao Brasil em 1894, trouxe na bagagem a primeira bola de futebol e um conjunto de regras. Podemos considerar Charles Miller como sendo o precursor do futebol no Brasil.
O primeiro jogo de futebol no Brasil foi realizados em 15 de abril de 1895 entre funcionários de empresas inglesas que atuavam em São Paulo. Os funcionários também eram de origem inglesa. Este jogo foi entre FUNCIONÁRIOS DA COMPANHIA DE GÁS X CIA. FERROVIARIA SÃO PAULO RAILWAY.
O primeiro time a se formar no Brasil foi o SÃO PAULO ATHLETIC, fundado em 13 de maio de 1888.
No início, o futebol era praticado apenas por pessoas da elite, sendo vedada a participação de negros em times de futebol.


Como não poderia deixar de ser, a ciência também tem o futebol como objeto de estudo.
Veja abaixo trechos do documentário "A Ciência do Gol", da Discovery Channel, exibido em 16 de maio.












Mais um do lendário lateral esquerdo Roberto Carlos, que sempre teimou em desafiar as probabilidades.